Fonte: Eco, Alberto Teixeira e António Larguesa
Mocoffee tenta salvar negócio que produz 350 milhões de cápsulas de café por ano na Azambuja através de uma reestruturação que prevê injeção de três milhões de euros de novo investidor. Delta avança.
Com dívidas superiores a 23 milhões de euros, a Mocoffee prepara-se para ser alvo de um resgate da Delta Cafés, do Grupo Nabeiro. Não se sabe o valor do negócio que acabou de ser comunicado à Autoridade da Concorrência. Mas o plano de recuperação desta produtora de cápsulas de café da Azambuja prevê uma injeção de pelo menos três milhões de euros de um novo investidor.
Como o ECO avançou em abril, com uma fábrica na Zona Industrial da Azambuja dimensionada para produzir 350 milhões de cápsulas de café por ano, a Mocoffee avançou com um Processo Especial de Revitalização (PER), um mecanismo jurídico que permite a empresas em dificuldade financeira ou insolvência iminente negociar com os credores para evitar a falência.
A banca representa metade do valor da dívida de 23,4 milhões de euros da empresa liderada por Ricardo Flores, que é o maior acionista (27% a título individual) e que tem a família brasileira Opitz como principal sócia. À cabeça surgem BCP e Caixa Geral de Depósitos – ambos com créditos de 2,7 milhões de euros –, seguidos do Montepio (2 milhões), Crédito Agrícola (1,5 milhões) e Bankinter (461 mil euros), segundo a lista de credores apresentada pelo administrador judicial nomeado pelo tribunal, Jorge Calvete, em março. Também deve ao Estado: 185 mil euros ao Fisco e outros 200 mil à Segurança Social.
Com sede em Portugal, a Mocoffee tem subsidiárias no Reino Unido e no Brasil, onde estava a construir uma unidade industrial. Empregando mais de 30 trabalhadores, a empresa compra, torra, mói e coloca o café dentro de cápsulas – exporta 90% para clientes que distribuam com a sua própria marca.
No plano de recuperação, a empresa já tinha dado conta de “manifestações de vontade de negociações para revitalização” por parte do BCP e da sociedade Iniciativas Comerciales Navarra, uma trading de matérias-primas que tinha requerido a insolvência em junho de 2025. Estava então projetada “a entrada de um novo investidor, que conceda um novo financiamento, através da entrada de dinheiro novo até ao montante estimado de, pelo menos, três milhões de euros”, destinado a “cobrir necessidade de fundo de maneio imediatas e a estabilizar a operação diária da empresa”.
“A Mocoffee encontra-se a negociar soluções de financiamento que lhe permitam fazer face às suas necessidades de tesouraria de curto e médio prazo”, adianta ainda, reiterando que “a obtenção de um novo financiamento é essencial, no imediato, para permitir estabilizar a empresa, mantendo a sua atividade, e criar condições que lhe permitam executar o plano de reestruturação proposto”.



