A Vale da Rosa evitou a insolvência através da aprovação de um Processo Especial de Revitalização (PER), registando posteriormente crescimento da produção e do volume de negócios.
A Causa & Feito atuou como consultor financeiro na estruturação da solução de revitalização e na articulação entre investidores, credores e restantes stakeholders.
Este caso evidencia o papel dos mecanismos de reestruturação na estabilização financeira de empresas viáveis, na atração de investimento e na preservação da continuidade operacional e criação de valor.
Fonte: Jornal de Negócios,
por Diana do Mar dianamar@negocios.pt
A Vale da Rosa, conhecida pelas uvas sem grainha, não só aumentou a produção com menos área, como também elevou a faturação em 2025, ano em que viu o plano de recuperação aprovado pelos credores, após ter entrado com um Processo Especial de Revitalização (PER), para evitar a falência.
O plano obrigou a uma reestruturação financeira, em face de uma dívida na ordem dos 16 milhões de euros, levando à entrada no capital da “joint venture” formada pela Iberian Premium Fruits e SanLucar – que ficou com o controlo de 85% do grupo, deixando António Silvestre Ferreira e os filhos com os restantes 15%.
A “dupla” de empresas espanholas chegou-se à frente com um investimento inicial superior a 3,5 milhões de euros, que permitiu garantir a campanha agrícola de 2025 daquele que figura como um dos maiores produtores nacionais de uva de mesa.
E a campanha deu frutos. “Foi um ano que, ao fim e ao cabo, correu bem e até conseguimos produzir mais com menos área“, adianta o diretor-geral da Vale da Rosa, António Garcia, ao Negócios.
Em números: a produção aumentou sensivelmente 12% face às 3.000 toneladas de 2024, apesar da redução da área de cerca de 250 para 177 hectares, consequência de um processo de reconversão das vinhas que fora encetado antes pelo grupo com sede em Ferreira do Alentejo.
“Basicamente concentramo-nos nas variedades que têm maior produção e mais qualidade e são mais reconhecidas pelos clientes, ou seja, naquelas que nos dão mais garantias. A empresa já vinha a fazer essa transição”, explica o número um da Vale da Rosa.
António Garcia, que é diretor-geral desde 1 de abril, adianta que essa transição vai levar, aliás, a que, em 2026, “pela primeira vez”, a produção da Vale da Rosa seja totalmente de uvas sem grainha.
Uvas sem grainha todo o ano
O desempenho no campo teve tradução nas contas, com a faturação da Vale da Rosa a aumentar 18% para aproximadamente 13 milhões de euros.
Mais de 50% das vendas destinaram-se aos nove países para onde exporta, com destaque para Inglaterra, o primeiro e ainda o principal mercado, onde a Vale da Rosa colocou, pela primeira vez, na Marks & Spencer uvas com o seu próprio “selo”, depois de anos a servir apenas a marca própria da retalhista.
2025 ficou também marcado pela estreia de uma “nuance” no negócio. “Uma das grandes decisões que a Vale da Rosa sob a nova gestão tomou foi começar a comprar e a vender também. A intenção é assegurar à Vale da Rosa a capacidade de ter uvas durante todo o ano. Ou seja, após o término da campanha cá – que vai de julho a outubro, podendo a comercialização ir até novembro – começamos a comprar lá fora e a vender”, explica.
“O foco continua a ser o mercado nacional. Simplesmente quando deixamos de ter a fruta que produzimos na herdade fazemos, como a maioria hoje em dia faz, em várias partes do mundo e noutras culturas: procuramos onde há disponível, dentro das mesmas características e segundo os nossos padrões de qualidade, para depois vender”.
Simplesmente quando deixamos de ter fruta que produzimos na herdade fazemos, como a maioria hoje em dia faz, em várias partes do mundo e noutras culturas: procuramos onde há disponível, dentro das mesmas características e segundo os nossos padrões de qualidade, para depois vender. António Garcia Diretor-geral da Vale da Rosa
E “o consumidor tem a garantia de que essa fruta tem os mesmos padrões de qualidade, porque passa pelos nossos armazéns e pelo nosso controlo”, frisa António Garcia, indicando que, entre os mercados fornecedores de uva sem grainha estarão os principais produtores como Peru, Chile ou África do Sul.
“Esta nova gestão acredita que uma das formas para a empresa ser sustentável a longo prazo é conseguirmos trabalhar, de forma relativamente contínua, durante 52 semanas por ano e assim conseguir atenuar a sazonalidade, porque acaba por existir um entra e sai que cria muitas, muitas dificuldades, o que levou, em parte, à situação em que a empresa acabou por ficar. E é uma forma de a marca estar presente durante todo o ano, porque em termos comerciais também é difícil entrar e sair nos mercados”, sublinha.
António Garcia diz que, neste momento, a estratégia para a empresa passa primeiro por “arrumar a casa”, introduzindo “melhorias nos sistemas de gestão, criando nas eficiências e trazendo mais algum profissionalismo”, para que possa crescer de forma sustentável a prazo: “Serão dois ou três anos de estabilização para que depois possamos voltar a ter um crescimento exponencial, que é o que também todas as empresas procuram”.
Serão dois ou três anos de estabilização para que depois possamos voltar a ter um crescimento exponencial. António Garcia Diretor-geral da Vale da Rosa



