A Causa & Feito assessorou financeiramente o processo de revitalização da Loja do Gato Preto, conduzindo a análise de sustentabilidade do negócio, a modelização da reestruturação e a reconfiguração do passivo.
O plano foi aprovado com forte adesão dos credores, permitindo reduzir o endividamento e assegurar as condições para a estabilização financeira e continuidade da atividade.
Fonte: Eco – Alberto Teixeira, 6 de março de 2026
“A aprovação do PER do Gato Preto marca o início de uma nova fase para a empresa e representa um voto de confiança na estratégia definida para garantir a continuidade da atividade e a sustentabilidade do negócio”, diz a empresa em declarações ao ECO.
A empresa assegura que agora, com o plano aprovado, o objetivo passa por “implementar as medidas previstas, reforçar a aposta no e-commerce e ajustar a sua operação às atuais dinâmicas de consumo”.
O tribunal de Sintra homologou esta quinta-feira o PER do Gato Preto, com dívidas de 50 milhões de euros. “A presente decisão vincula todos os credores existentes à data, mesmo os que não hajam participado nas negociações”, lê-se no despacho do juiz.
Nos últimos anos, o Gato Preto vem-se defrontando com dificuldades crescentes. Em 2025, registou prejuízos de 11 milhões de euros. Os problemas vêm desde o tempo da pandemia e que se avolumaram com a crise do navio encalhado no Canal Suez em 2021, que provocou ruturas no fornecimento de bens e agravou consideravelmente os custos de transportes.
Neste período, o Gato Preto, atualmente com mais de 150 trabalhadores, viu as vendas caírem de 40 milhões de euros para menos de 20 milhões, uma redução substancial do negócio.
A recuperação da loja vai ter custos para todos. Desde logo para os trabalhadores que vão sair por conta do fecho de 10 das 15 lojas que o Gato Preto tem em Portugal. Ainda assim, manter-se-ão abertos pontos de norte a sul do país: Fórum Almada (Almada), Freeport Fashion Outlet (Alcochete), Mar Shopping (Matosinhos), Palácio do Gelo (Viseu) e UBBO (Amadora), prevendo-se vendas de 4,6 milhões de euros em 2026.
O Gato Preto estima que venha a pagar quase um milhão de euros em indemnizações aos trabalhadores. O dinheiro virá da venda de um armazém que tem nos arredores de Lisboa, “sobredimensionado” para a realidade atual e futura da empresa, e que poderá render 1,2 milhões de euros.
A operação espanhola, mercado onde está presente desde o início do milénio, também é para desmantelar, com quatro lojas na Andaluzia e outra em Madrid a fecharem as portas, o que permitirá um reforço da aposta nos canais online.
Em relação aos credores, vão perdoar cerca de 40 milhões de euros, com destaque para os créditos subordinados, que correspondem a perto de 26 milhões de euros do grupo Aquinos, o dono do Gato Preto, a título sobretudo de fornecimento de bens e serviços, e que serão perdoados integralmente.
Já os bancos perdoarão menos de dez milhões de euros. O Gato Preto compromete-se a pagar restantes 20% (2,4 milhões de euros) em cinco anos (em 60 prestações mensais), com carência de capital por 12 meses.
Os bancos portugueses estão entre os maiores credores do Gato Preto, nomeadamente o Novobanco (1,9 milhões de euros), BPI (1,9 milhões), Caixa Geral de Depósitos (1,5 milhões) e BCP (1,2 milhões), mas é o espanhol BBVA o mais exposto (2,5 milhões).
Os fornecedores também terão de suportar um perdão semelhante: só vão conseguir recuperar cerca de dois milhões de euros de uma dívida que ascende a quase dez milhões, a serem liquidados durante um período de cinco anos.




